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16. Análise on chain, análise fundamentalista e tokenomics

Existem mais de 21 mil criptoativos atualmente, segundo o CoinMarketCap. Por conta dessa quantidade, é importante saber analisá-los adequadamente. Somente assim pode-se ter clareza de quais são os ativos mais adequados para investir. De toda forma, a verdade é que a grande maioria desses criptoativos não vai prosperar a longo prazo. Ao estudar seus fundamentos, podemos ter uma noção mais clara dos seus riscos, diferenciais, tecnologia, setor de mercado e política monetária dos tokens, além de outras possibilidades. Somente assim uma tomada de decisão consciente pode ser executada.
O fato de existir uma grande quantidade de opções disponíveis e a maioria ser de projetos ruins ou sem fundamentos pode ser visto por muitos como um fator negativo do mercado. Mas o efeito é o contrário. Só existem projetos ruins porque qualquer um pode lançar o seu, sem grandes barreiras que dificultem esse processo.
Já para o usuário, há inúmeras ferramentas que o auxiliam em uma análise fundamentalista de um criptoativo. Iremos elencar essas dicas a seguir. É importante que a tomada de decisão leve em consideração o conjunto como um todo, de forma que um tipo de análise seja utilizado para complementar e reforçar o outro. Alguns aspectos são: análise financeira, análise de projeto e análise on-chain.

16.1 Por dentro da análise financeira

Dentro da análise financeira de um criptoativo, existem dados muito importantes para serem analisados, como capitalização de mercado (Market Cap), oferta circulante e oferta máxima, volume da capitalização de mercado e staking yield.
Capitalização de mercado: a capitalização de mercado de um criptoativo é o resultado do preço de seus tokens versus a quantidade de tokens em circulação. Enquanto muitos se atentam ao preço do token em si, é a capitalização de mercado que importa. Não faz nenhum sentido comparar duas criptos em preço. Por exemplo, se uma vale US$ 10 e outra vale US$ 0,0005, o que determina o valor capturado do projeto não é esse preço em si, mas o preço atingido dividido pela quantidade de tokens. Dois exemplos são a Cardano (ADA) e a Litecoin (LTC). Em setembro de 2022, a Cardano possuía US$ 18,8 bilhões em capitalização de mercado, o que a colocava em sexto no ranking total. Existem em torno de 33,9 bilhões de tokens ADA em circulação. Portanto, o preço de seu token é US$ 0,55.

Figura 123 - US$ 18,9 bilhões / 33,9 bilhões ADAs = US$ 0,55

Já a Litecoin possui US$ 4,34 bilhões em capitalização de mercado, o que a coloca na posição 21 do ranking de criptomoedas. Existem em torno de 70,9 milhões de tokens LTC em circulação, portanto o preço de seu token é US$ 61,27.

Figura 124 - Valor do token: US$ 4.344 milhões / 70,9 milhões LTC = US$ 61,2

A capitalização de mercado é, portanto, a forma mais adequada de mensurar o potencial de crescimento de um certo ativo. Justamente por isso, não faz sentido a lógica de que quanto menor o valor, maior a chance de a criptomoeda valorizar, dobrar ou triplicar seu valor. Muitos outros fatores determinam a valorização ou não de um token, como sua inflação, sua política monetária, o período de vesting (de quanto em quanto tempo os investidores de estágio inicial irão receber seus tokens), incentivos de staking, entre outros fatores.
Oferta circulante e oferta máxima: essa métrica é importante para analisar quantos tokens ainda serão despejados no mercado. Quanto menos tokens circulantes houver em relação à oferta máxima, maior será a pressão inflacionária futura, e maior o impacto em seu preço de tela. Por exemplo, o BTC possui, atualmente (final de 2022), pouco mais de 19 milhões de bitcoins em circulação, dos 21 milhões que irão existir. Esse número representa pouco mais de 90% do total de moedas, indicando que a maior parte da emissão de novas moedas já ocorreu e, portanto, não haverá, proporcionalmente, futuras grandes emissões de tokens.

Figura 125 - A oferta circulante de BTC em setembro de 2022

Enquanto isso, o token da Blockchain Avalanche (AVAX) possui, atualmente, pouco mais de 280 milhões de tokens em circulação, dos 720 milhões que irão existir. Isso revela que ainda há muito espaço para o despejo de novos tokens no mercado, o que pode impactar bastante no preço do ativo, fazendo com que haja uma desvalorização de seu preço unitário no futuro.

Figura 126 - Oferta circulante da Avax em setembro de 2022

Existem ativos que não possuem uma oferta máxima fixa, como por exemplo o token ETH, da rede Ethereum. Nesse caso, é interessante observar a relação de novos tokens emitidos e queimados. Somente assim para saber se a quantidade em circulação vem aumentando ou diminuindo.
Volume dividido por capitalização de mercado: é interessante atrelar o volume de negociação dos tokens à capitalização de mercado que cada um tem. Um múltiplo alto indica grandes movimentações em comparação com a sua capitalização de mercado, indicando potencial de valorização futura. O contrário também é válido, já que uma alta capitalização de mercado e um baixo volume indicará um potencial de desvalorização futuro. Esse indicador também é encontrado facilmente no CoinMarketCap, nas abas de cada um dos ativos.

Figura 127 - Capitalização X volume dividido

Staking Yield: é a rentabilidade que pode ser atingida ao se fazer o staking dos tokens. Pode ser conferido no site www.stakingrewards.com. Um exemplo da importância de rentabilizar seus tokens é o token DOT da Polkadot. Ele possui uma inflação anual de cerca de 10%, porém através do staking pode-se conseguir uma rentabilidade de quase 14%. É uma forma encontrada pelo protocolo para recompensar os usuários ativos do ecossistema e punir os passivos.

Figura 128 - Rentabilidade ao ano com staking das criptomoedas

16.2 Análise de projeto

Além da análise financeira, devemos analisar alguns pontos relacionados ao projeto em si, como por exemplo: o whitepaper do projeto, tokenomics, equipe, os diferenciais competitivos no setor que o projeto está inserido, a aproximação de investidores institucionais e de reguladores, a força da comunidade e os prazos do roadmap.
Whitepaper do projeto: O whitepaper é o documento mais importante para um investidor ler a respeito de um projeto em que está pensando em investir. É lá que se pode encontrar todas as informações necessárias para compreender a ideia como um todo. Os whitepapers são divididos com o propósito de explicar como funciona a tecnologia por trás da ideia proposta pelos desenvolvedores.

Figura 129 - Whitepaper do Bitcoin

Tokenomics: o tokenomics do projeto é a representação de sua política monetária, fazendo parte do whitepaper. Ele inclui como será a distribuição inicial de tokens, como funcionará a emissão e a queima do token, o período de "lock up" (travamento) dos tokens para os investidores em fase inicial, entre outros pontos importantes para entender como será a relação entre a oferta e a demanda dos tokens em circulação. Algumas perguntas que devem ser feitas quando se analisa o tokenomics de um projeto são: quantas moedas e tokens existem atualmente em circulação? Quantas vão existir no futuro e quando serão criadas? Quem é o criador e quem será o dono das moedas? Há carteiras com grandes percentuais de tokens concentrados? Essas carteiras com grande concentração de moedas podem despejar todos os tokens no mercado caso queiram? Como será feita a distribuição dos tokens ao longo do tempo? Existe um travamento desses tokens inicialmente e uma liberação gradual? Qual o uso do token? Ele é utilizado para algo importante? Por exemplo, para o pagamento de taxas, o poder de voto na governança, para permitir que seja feito staking etc.?

Figura 130 - Tokenomics do jogo Aurory, desenvolvido na rede Solana

Equipe: a equipe do projeto está entre os pontos mais cruciais em uma tomada de decisão sobre investir ou não em um projeto. A experiência e a reputação dos integrantes ditam, em grande parte, a possibilidade de sucesso. Quem são os desenvolvedores? O que eles já fizeram anteriormente? Há quantos anos estão envolvidos no mercado cripto?
Diferenciais competitivos e o setor que o projeto está inserido: não adianta desenvolver os pontos acima de forma satisfatória se existem soluções concorrentes no mesmo setor que já fazem exatamente o que o novo projeto propõe. É importante entender se existem pontos de inovação e disrupção em relação às soluções já existentes.
Aproximação dos reguladores e dos investidores institucionais: projetos que têm a predisposição para se aproximarem dos agentes reguladores tendem a ter maior facilidade para serem adotados por um público maior, tendo menos problemas com a legislação dos países. Estamos vendo vários exemplos em relação a isso, como o Tornado Cash e o Polygon ID. São soluções como essa que buscam proteger a privacidade dos usuários, porém usando caminhos opostos. Enquanto a Polygon tenta se aproximar dos reguladores, o protocolo Tornado Cash foi sancionado pelo governo americano, que proibiu seu uso para cidadãos do país.
Roadmap: o roadmap é o plano de ação que o projeto pretende executar. Ele é uma ferramenta de comunicação e inclui a visão e a estratégia da equipe, como quais serão os próximos passos e qual o resultado final desejado. Além de analisar o conteúdo propriamente dito, é importante analisar a probabilidade de a equipe realmente entregar o que foi prometido.

Figura 131 - Roadmap do projeto Orion

Comunidade forte: a comunidade é um dos pontos fundamentais quando se trata de projetos Web 3. Não adianta ter um bom projeto se não há uma comunidade forte por trás. Ela é tão importante que existem projetos que se desenvolveram unicamente por causa delas, como a Dogecoin, uma moeda cópia do Bitcoin, que surgiu como um meme e hoje ocupa um espaço no top 10 em capitalização de mercado sem ter nenhum dos pontos tratados acima, isto é, bons desenvolvedores, tokenomics sustentável, diferenciais competitivos e roadmap plausível. Outro bom exemplo é a comunidade da Yuga Labs, que contém as coleções de NFTs Bored Ape Yatch Club, Cryptopunks, entre outras. Existe um senso de pertencimento entre os participantes, que enxergam valor em fazer parte daquilo. As contas oficiais dos projetos no Twitter, Reddit, Youtube, grupos oficiais no Telegram e canais oficiais no Discord são formas de medir esse poder. Uma comunidade pode ser composta através da quantidade de desenvolvedores trabalhando por melhorias no ecossistema, holders convictos em não vender suas participações por acreditarem a longo prazo no projeto, pessoas empolgadas querendo aprender mais sobre o projeto, entre outros pontos.

16.3 Realizando análise on-chain dos ativos

Como já dito anteriormente, a blockchain é um livro público. Todos podem acessar abertamente todas as transações já feitas, de onde os recursos vieram, para onde vão: tudo é transparente. Isso permite que esses dados públicos possam ser trabalhados e que insights mais profundos que a capitalização de mercado ou o volume de negociações sejam extraídos deles. A rede do Bitcoin é a mais utilizada nesse tipo de análise por ser a que possui dados mais completos e detalhados. Além disso, seu comportamento embasa todas as outras altcoins, por conta da alta correlação entre elas. A seguir, elencamos algumas das principais informações que podem ser extraídas através dos dados on-chain.
  • Número de transações: se o número de transações está crescente, isso significa que mais pessoas estão adotando aquele ecossistema; quanto mais ativo, maior a demanda e maior seu valor agregado.
  • Valor das transações: se o valor das transações está crescente, isso significa que as pessoas estão mais confiantes naquele ecossistema, transacionando com valores maiores.
  • Status e endereços ativos: qual a porcentagem dentre o total de endereços que são ativos? Essa métrica está crescendo?
  • Total dos tokens em stake (em redes Proof-of-Stake): qual a porcentagem total das moedas que estão em stake? Quanto maior for a porcentagem, menor é a oferta circulante dos tokens.
  • Saldo nas corretoras: quanto menor o saldo das corretoras, mais positivo é para a blockchain em geral. Um grande fluxo de saída significa que os detentores dos ativos pretendem holdar a longo prazo.
  • Nível de convicção: novos versus antigos holders. Se a quantidade de moedas que estão circulando no mercado é somente de novos holders, isso significa que o nível de convicção dos antigos holders é continuar segurando o ativo na carteira. Já se os antigos holders começaram a despejar os tokens no mercado, isso mostra uma queda no nível de convicção dos investidores, o que pode indicar uma reversão.
  • Acumulação e distribuição das carteiras das baleias: quando as baleias (carteiras com grande número de ativos) estão acumulando mais moedas, significa que elas estão comprando a preços vantajosos das sardinhas (carteiras com baixo número de ativos), que estão vendendo por conta do momento adverso.
  • Spend Output Profit Ratio (SOPR): Diferença do valor do token de quando ele entrou para quando ele saiu da carteira. As pessoas que estão vendendo tokens, mas elas estão fazendo isso com lucro ou perda em relação a quando compraram?
  • Market Value to Realized Value (MVRV): A métrica é utilizada para visualizarmos se as carteiras dos holders de Bitcoin estão com lucro ou prejuízo e em qual intensidade. O índice é medido pela capitalização do mercado atual, dividido pelo preço médio dos holders.

Figura 132 - Métrica MVRV

  • Múltiplo maior que 1: Os holders estão com lucros não realizados. Historicamente, valores superiores a 3,0 sinalizam mercados em alta, superaquecidos (mais pessoas estão lucrando e é mais provável que haja realização desses lucros levando a uma queda).
  • Múltiplo diminuindo: Redução da lucratividade no sistema. Isso se deve tanto a uma queda do preço (menor MV) quanto da redistribuição de moedas. Isso ocorre pois os investidores obtêm lucros e vendem moedas adquiridas a preços mais baratos por preços mais altos para novos compradores (maior RV).
  • Múltiplo menor que 1: O preço de mercado está abaixo do preço médio de aquisição dos investidores. Isso é típico dos mercados de baixa em estágio final. O gráfico frequentemente é associado à formação de fundo e acumulação. Historicamente, poucas vezes o múltiplo ficou menor que 1,0.

Figura 133 - Gráficos com métricas On-chain do bitcoin: dias abaixo do preço realizado

Figura 134 - Gráficos com métricas On-chain do bitcoin: preço realizado e MVRV

São nesses momentos de queda dos preços como evidenciados nos gráficos anteriores que as moedas são transferidas de investidores de baixa convicção para investidores de alta convicção. Isso ocorre pela grande assimetria de informação do mercado. A análise on chain proporciona aos investidores essa maior convicção com base em fundamentos, do momento atual e a perspectiva futura para os próximos ciclos de crescimento.
Entre as plataformas mais completas que disponibilizam esses dados on-chain, temos a Glassnode. Além de fornecer gráficos em tempo real (alguns gratuitos e alguns pagos), ela fornece relatórios semanais gratuitos sobre os principais insights extraídos.

Figura 135 - Dados em tempo real da Glassnode

16.4 Fazendo análises por meio do explorador de blocos

Os exploradores de blocos são uma ferramenta muito interessante que agrega status e informações úteis sobre a blockchain, algo vital para qualquer usuário que queira se aprofundar na Web3. Cada blockchain possui o seu, sendo que o mais utilizado é o da rede Ethereum, o Etherscan.

16.4.1 Mas o que é um explorador de blocos?

Um explorador de blocos permite que você procure qualquer endereço da blockchain ou qualquer bloco dela e encontre todas as transações relacionadas. Sem os exploradores de blocos, você precisaria rodar um node e fazer o download de cada transação da blockchain desde seu início. Entre os exploradores de blocos, o mais conhecido é o Etherscan, como acabamos de mencionar, que fornece os dados da rede Ethereum.
Existem alguns benefícios em rodar o próprio node, como contribuir para a segurança da rede, mas esta seria uma tarefa árdua para a maioria dos usuários Web3. Ao contrário do Etherscan, um node não tem uma interface amigável para consultar dados. Além da usabilidade, existem alguns requisitos técnicos que também dificultariam a tarefa, tais como:
  • Ter um bom processador com banda ilimitada;
  • Computador ligado 24 horas por dia;
  • Ter um HD dedicado para o armazenamento da Ethereum;
  • Dias ou semanas para processar todos os dados.
Abordaremos de forma prática, neste capítulo, as principais funções dessa ferramenta: gas tracker; pesquisa de tokens ERC-20 (Altcoins); transações de NFTs e mints; rastreamento de carteiras e análise de transações; pesquisa de smart contracts e leitura de smart contracts.

16.4.2 Qual a função do Gas Tracker

A ferramenta “Gas Tracker” é uma das mais úteis no dia a dia, já que as taxas em operações envolvendo a rede Ethereum podem ser extremamente caras. O Etherscan pode te ajudar a identificar qual é o melhor momento para se fazer uma transação, ou seja, quando essas taxas estão mais baratas.

Figura 136 - O Etherscan

Fonte: Etherscan
Você pode olhar qual o custo atual e estimar qual seria a taxa mais baixa para sua transação. Uma coisa útil a ser feita quando sua transação não for urgente é utilizar o histórico de preços. Observando o histórico de sete dias, conseguimos identificar quais foram os menores custos semanais.

Figura 137 - Preço de gás na rede Ethereum

Fonte: Etherscan
Baseado nesse histórico, caso a transação não seja urgente, o ideal seria alterar o limite de gás entre 13 e 15. A transação levaria entre algumas horas ou até dias para ser concluída, porém tendo tempo, esse processo pode te economizar muito no custo das taxas ao longo do tempo. Você acessa o Gas Tracker do Etherscan aqui: https://etherscan.io/gastracker
Como pesquisar tokens ERC-20 (Altcoins): Você pode usar o Etherscan para pesquisar qualquer token ERC-20. Por ele, você tem acesso a dados importantes, como a capitalização de mercado, o volume transacionado e o número de holders. É possível ver em detalhes o quanto de dinheiro está entrando e saindo, assim como a mudança nas participações das carteiras relevantes de cada token. Você acessa o Token Tracker do Etherscan aqui: https://etherscan.io/tokens

Figura 138 - O Token Tracker

Fonte: Etherscan
A seguir, temos um exemplo de uma aba de holders do token SAND. Nela, podemos encontrar um detalhamento da distribuição dos tokens por endereço e as informações de contrato.

Figura 139 - Holders do token SAND

Fonte: Etherscan
Esses dados são essenciais caso desejemos aprofundar o entendimento sobre o tokenomics do projeto e ter um panorama do ecossistema. Tudo muda caso as principais baleias estejam despejando ou acumulando mais tokens. Seguir o “smart money” e identificar quem detém o quê e quanto é uma das melhores maneiras de obter informações sobre a segurança e o comportamento de um projeto.
Mintando, vendendo e comprando NFTs: da mesma forma que ocorre em tokens ERC-20, o Etherscan possibilita que encontremos todas as transações de NFTs, incluindo os “mints”, que é o processo de criação dos NFTs. As informações sobre holders, volume e velocidade em que estão ocorrendo as vendas podem nos dizer o quão bem um lançamento está indo ou se ele vai fracassar. Acaba sendo um excelente complemento da análise do projeto em si.

Figura 140 - NFT Tracker

Fonte: NFT Tracker

16.4.3 Como rastrear Carteiras

O rastreamento de carteiras é uma das melhores funções do Etherscan. Isso nos permite filtrar o histórico de transações de acordo com o endereço, para qualquer token ERC-20 ou NFT. Essa busca pode ser ainda mais detalhada utilizando os outros filtros disponíveis. Uma estratégia interessante para encontrar carteiras para seguir é procurar endereços que entraram no início de bons projetos com posições relevantes. Para isso, basta filtrarmos as transações para visualizarmos as últimas (“last”).

Figura 141 - Buscando carteiras no NFT Tracker

Fonte: Etherscan
Se fizermos isso com a coleção NFT Goblintown (que foi um free mint e chegou a custar 8 ETHs), conseguimos identificar uma carteira que começou a adquirir Goblins logo após a mintagem. Ao todo, a carteira acumulou 45 Goblins, tendo um lucro de 145 ETH.

Figura 142 - Tracker dos NFTS da coleçao Goblintown

Fonte: Etherscan
Analisando essa carteira em específico, temos na página principal do endereço várias seções úteis:
  • Transactions: histórico geral de transações;
  • Internal Txns: interações com smart contracts;
  • ERC-20 Txns: histórico de transações com tokens;
  • ERC-721 Txns: histórico de transações com NFTs;
  • Analytics: status e gráficos da carteira.

Figura 143 - Exemplo de análise em um endereço

Fonte: Etherscan
A partir daí, é possível investigar se esse endereço tem um histórico de investimentos lucrativos no passado. Caso seja encontrado um track-record consistente, essa passa a ser uma carteira que vale a pena ser monitorada. Além disso, o explorador nos permite obter vários insights sobre transações individuais. Isso, por si só, tem múltiplas utilidades, desde refletir sobre o processo decisório em operações passadas até obter detalhes das operações de outros investidores. É importante lembrar que não se deve simplesmente copiar transações. Essa é apenas uma das informações relevantes para um processo de pesquisa e tomada de decisão de investimento.

16.4.4 Como pesquisar Smart Contracts

O recurso de pesquisa de contrato inteligente do Etherscan também é bastante útil. Por meio dele conseguimos informações sobre tokens específicos antes das outras pessoas. Também é possível encontrar quais contratos utilizam esse token em questão:

Figura 144 - Pesquisa por smart contracts

Fonte: Etherscan

16.4.5 Fazendo leitura de um smart contract

Pelo explorador, é possível ter acesso ao código-fonte de qualquer contrato inteligente. Isso pode ser útil se você tiver experiência em leitura de código e quiser dar uma olhada mais de perto em um projeto. No exemplo a seguir, está o contrato da coleção Azuki. Para ler o contrato todo, basta substituir o “.io” por “deth.net” na url. Isso abre um diretório em que é possível realizar a auditoria completa do contrato.

Figura 145 - O código fonte de um smart contract

Fonte: Etherscan
A blockchain é transparente e existe muito valor nas informações que conseguimos extrair. Há muito o que descobrir no Etherscan. Por isso, não deixe que a dificuldade inicial te intimide. Grande parte do conhecimento ali pode ser obtido de forma simples e dar uma grande vantagem na construção de estratégias de investimento.
O primeiro mergulho no mundo da Web3. Como as criptomoedas, NFTs e metaverso irão mudar
as nossas vidas.
Primeira edição, Novembro de 2022.
Autor: João Kamradt
Colaboração: André Castelo, Henrique Ayello, Matheus Bonifácio e Rafael Lima.
Editora: W3Books
Revisão: Diane Southier
Capa: Polvo.lab
Licença: Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual 4.0 Internacional (CC BY-NC-SA 4.0)
Assuntos: 1. Criptomoedas 2. Tokens e NFTs 3. Blockchain 4. Metaverso 5. Web3
Publicado em: https://viden.ventures/livro