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Conclusão: O futuro do mundo cripto

As criptomoedas ainda são muito questionadas. Em maio de 2022, por exemplo, a presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, falou em um programa de TV que esses ativos digitais “não valem nada”. Essa opinião bate de frente com tudo que mostramos ao longo das páginas deste livro. Mas Lagarde não está sozinha ao pensar isso sobre as criptos. Ao longo da sua existência, o mercado de moedas digitais já foi declarado como um experimento falho e morto inúmeras vezes.
Do nosso ponto de vista, entendemos que os críticos estão perdendo o quadro geral do desenvolvimento da Web3. Um exemplo é o fato de que o mercado de criptomoedas recebeu um recorde de US$ 30 bilhões em investimentos em 2021. Essa quantia é quatro vezes maior do que o valor injetado no mercado em 2018. Além disso, pesquisas recentes mostram que mais de 30% dos brasileiros já usaram, de algum modo, criptomoedas. Por sua vez, nos EUA, uma pesquisa mostrou que um em cada cinco norte-americanos já se envolveu com o mercado de ativos digitais. Levando esses dados em consideração, seria ilógico acreditar que um mercado como esse possa morrer tão cedo.
Nem o inverno cripto e nem a queda do preço dos ativos foram suficientes para interromper o desenvolvimento de novos projetos e a entrada de grandes quantias de recursos financeiros de fundos para esse mercado. A a16z, por exemplo, anunciou a formação de um fundo de US$ 4,5 bilhões focado unicamente em ativos cripto, enquanto a Northzone anunciou um outro fundo de US$ 1 bilhão focado nos ativos de Web3.
Nesse meio tempo, bancos de todo o mundo preparam a possibilidade de que seus clientes invistam em ativos criptos. Um exemplo é o Nomura, principal banco japonês, que está criando uma nova empresa para que seus clientes tenham acesso a esses ativos digitais, ou o brasileiro Nubank, que já tem mais de 1 milhão de clientes que compraram Bitcoin e Ethereum dentro da sua plataforma em apenas três semanas. Além disso, BTG e XP também anunciaram serviços para que seus clientes possam investir em criptoativos.
Diante desse cenário de entrada de big players e de dinheiro institucional, a pergunta a ser feita é: por qual razão eles fariam tais movimentos se não tivessem confiança no futuro do mercado cripto? A resposta mais efetiva é também a mais simples: eles possuem confiança no desenvolvimento desse setor. Para isso, basta observar o futuro do mercado de criptomoedas e como ele será incorporado não só no ambiente financeiro, mas também em toda a sociedade. O futuro não terá somente a utilização generalizada das criptomoedas como meio de troca, mas também o aumento da adoção da blockchain no dia a dia das pessoas.
A tecnologia irá fornecer, tanto às empresas quanto aos indivíduos, dados mais seguros e melhores meios de criar novos serviços e produtos. Além disso, mais aplicativos irão surgir à medida em que a tecnologia amadureça e que mais pessoas a estejam aproveitando. Em um exercício de imaginação, é possível ver uma série de questões resolvidas até 2030. Até lá, a questão regulatória estará solucionada, a confiança na tecnologia será generalizada e a integração com a vida cotidiana estará disseminada.
Seja no Brasil ou em outras partes do mundo, como nos EUA e na Europa, as agências governamentais ainda não chegaram a um consenso sobre o status legal das criptomoedas. Esse vácuo ainda cria confusão tanto para investidores quanto para empresas. Mas, até o fim da década, os órgãos legisladores e regulatórios já terão esclarecido o tratamento fiscal e os encargos regulatórios, facilitando o ambiente para inovação e crescimento da Web3.
Embora cause incômodo para muitos adeptos cripto, por causa da eventual perda ou cerceamento de sua privacidade, a resolução do problema regulatório fará bem para o mercado criptográfico. Até por isso, será uma prioridade de governos. Para entender a importância disso, pense na Play Store, dos celulares Android, ou na App Store, da Apple. A razão pela qual ambas funcionam tão bem é que os desenvolvedores de aplicativos entenderam as regras fiscais e os requisitos legais por trás de seus negócios e, com isso, conseguiram encontrar um processo relativamente fácil de criação de negócios e lucro.
A blockchain irá fornecer plataformas que permitam o desenvolvimento de aplicativos, mas em uma escala muito maior do que a atual, e sem supervisão. No momento, há atrito dentro do setor porque os investidores e os desenvolvedores cripto não possuem clareza sobre a forma que serão tributados, o que faz com que não saibam quão viável é montar negócios na Web3 ou investir em projetos de outras empresas. Ao definir de forma clara as regras do jogo e, possivelmente, gerar um ambiente próspero para a inovação, as aplicações criadas por esses desenvolvedores vão gerar um valor inestimável para o setor cripto.
Outro problema que será resolvido até 2030 é a falta de confiança do setor. Durante 2022, esse receio foi amplificado pela contínua queda no preço do Bitcoin e das outras altcoins. Mas a tendência é que, até 2030, a atual volatilidade passe a ser uma memória, assim como os tokens de projetos duvidosos, ou mesmo criados por maus atores, sejam apenas uma vaga lembrança de um tempo em que a Web3 ainda não havia se integrado adequadamente à sociedade. Infelizmente, a mesma inovação que alimentou o rápido crescimento da Web3 é o que a torna propensa ao uso indevido. Isso não significa que a criptografia seja ilegítima, mas sim que está passando por suas próprias dores de crescimento. É importante lembrar que o Bitcoin tem apenas um pouco mais de uma década.
Desafios semelhantes foram vistos há 20 anos, quando a bolha do ".com" estourou e inúmeras empresas recém-criadas quebraram. Mesmo diante da quebradeira e do período de restrição que passaram, a internet resistiu, continuou se desenvolvendo e floresceu. É isso que leva a crer que, se os especialistas em blockchain seguirem no caminho do desenvolvimento, o setor cripto também continuará crescendo.

Figura 146 - Curva de adoção tecnológica

Fonte: viden.vc
Hoje já existe uma abordagem para construir aplicativos seguros na blockchain. Isso ocorre porque o código é aberto para inspeção e alterações podem ser sugeridas pelos usuários. Mas o problema é que não há padronização ou uma única entidade para que os aplicativos sejam executados antes de serem lançados. Quando se pensa em inovação, isso é ótimo, mas, como experiência para o consumidor final, acaba sendo ruim e dificulta a adoção das aplicações.
Até 2030, no entanto, isso deve mudar. Terá sido alcançado um equilíbrio por meio de estruturas colaborativas e que gerem segurança aos desenvolvedores e usuários. Do mesmo modo, as pessoas não precisarão mais perguntar se estão investindo em algo ilegal ou não, o que gerará mais confiança no sistema como um todo. Padrões de tokens e de tipos de ativos digitais também serão estabelecidos, o que facilitará tanto a estabilidade quanto o acesso das informações por investidores. Isso auxiliará todos a tomarem decisões mais sólidas sobre onde armazenar seu dinheiro.

Figura 147 - Curva da difusão da inovação

Fonte: viden.vc
Com um ambiente regulado e que gere segurança e confiabilidade ao usuário, a integração com a vida cotidiana será natural. Os mais diferentes setores da vida serão alterados por processos facilitados pela tecnologia criptográfica. No futuro, será possível fazer compras sem termos que nos vincular obrigatoriamente a uma conta, aplicativo, ou mesmo a algum tipo de moeda tradicional. Em 2030, espera-se que possamos fazer pagamentos de forma automática em todos os lugares.
De forma ampla, a tecnologia de criptografia será incorporada na vida diária do cidadão. Haverá sistemas sendo executados em segundo plano que facilitarão elementos burocráticos do dia a dia, como o pagamento de uma conta em um supermercado, restaurante, ou mesmo o envio de informações de saúde para médicos e hospitais. Nessa lógica, poderemos sair de carro, parar em um posto de gasolina, ir ao cinema e, na volta, parar para jantar e entrar e sair dos lugares com os pagamentos ocorrendo de forma automatizada e simplificada.
As bolsas de valores também irão se beneficiar da onipresença da criptografia. Bolsas como Nasdaq e exchanges como Coinbase poderão emitir títulos e tokens digitais em conjunto quando uma nova empresa quiser acessar o mercado. Com os mercados tradicionais e de criptografia mais entrelaçados, mais pessoas poderão investir em ativos que até então seriam inacessíveis. É possível imaginar um mundo em que grandes bancos falem com exchanges e que a moeda digital seja independente da blockchain, com pagamentos liquidados de forma quase imediata.
Isso chegará antes do que a maioria das pessoas pensa. Como referência, lembre-se dos primeiros dias da internet. No momento atual, seja pela quantidade de atenção que damos às tecnologias de criptografia e da Web3 ou pelo envolvimento da sociedade em geral, seria correto apontar que elas estão no mesmo nível em que a internet esteve quando era conhecida pela fase da "internet discada". Se você se lembrou da referência, também consegue entender o que o futuro reserva: estamos apenas no começo do período de disrupção.
O primeiro mergulho no mundo da Web3. Como as criptomoedas, NFTs e metaverso irão mudar
as nossas vidas.
Primeira edição, Novembro de 2022.
Autor: João Kamradt
Colaboração: André Castelo, Henrique Ayello, Matheus Bonifácio e Rafael Lima.
Editora: W3Books
Revisão: Diane Southier
Capa: Polvo.lab
Licença: Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual 4.0 Internacional (CC BY-NC-SA 4.0)
Assuntos: 1. Criptomoedas 2. Tokens e NFTs 3. Blockchain 4. Metaverso 5. Web3
Publicado em: https://viden.ventures/livro